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Escolher o aparelho

Já há dois guias para montar a coisa — num mini-PC com Windows e numa box Android. Isto é o que vem antes deles: que categorias de aparelho existem para pôr uma playlist numa TV, o que cada uma custa mesmo, e onde é que cada uma morde. Sem passo a passo — só o enquadramento.

A premissa: poucos ecrãs, não uma frota

Metade do que se lê sobre sinalização digital responde a um problema que não é o seu: gerir cem ecrãs espalhados por um país. Aí compensa pagar licença por aparelho, consola central e aparelhos que se inscrevem sozinhos — porque o custo real passa a ser ir lá.

Com dois, três ou cinco ecrãs, ir lá é ir à montra. Todas as recomendações abaixo assumem isso, e é por isso que a categoria tecnicamente mais bem resolvida — o Chromebox em modo quiosque — acaba por não ser a que se aconselha.

As três perguntas

Fazem-se por esta ordem, e a ordem não é arbitrária: um não na primeira deita fora o aparelho, por muito bem que responda às outras duas.

01

Volta a ligar sozinho quando volta a luz?

Isto é do aparelho, não do sistema. Uma falha às três da manhã não avisa ninguém, e a montra fica apagada até alguém reparar — às vezes dias.

Os mini-PCs conseguem, mas só depois de se mudar uma definição na BIOS que vem desligada de fábrica. O Raspberry Pi e a maioria das boxes voltam sozinhos, porque não têm sequer botão para ficarem desligados. As TVs com Android integrado costumam voltar em espera — e essa descobre-se mal, com a TV já montada a três metros de altura.

02

Abre o player sozinho e fica lá?

Duas coisas, não uma: arrancar sem ninguém, e não haver maneira fácil de sair para o ecrã inicial do aparelho — nem por descuido, nem por curiosidade de quem passa.

No Windows e no Linux é trivial. No Android não: uma app qualquer não arranca sozinha nem impede que se saia dela, e por isso é preciso uma app de quiosque dedicada. No ChromeOS e nos ecrãs profissionais vem de fábrica — é para isso que existem.

03

O browser é actual — e continua a sê-lo daqui a dois anos?

O player é uma página web. Não há app nativa a proteger-nos: o que o browser não souber fazer, não se faz.

Num PC ou num Pi, o Chrome actualiza-se sozinho e a pergunta não se põe. Num aparelho onde o browser faz parte do sistema — box Android barata, ChromeOS em fim de vida, ecrã profissional — o browser envelhece com o aparelho e não se troca.

Esta terceira pergunta não é teórica

O próprio player tem quatro remendos escritos de propósito para browsers velhos de box Android. Estão no código, comentados pelo autor:

Quatro remendos numa categoria só. Não invalidam a categoria — o player funciona lá, e foi feito para funcionar lá. Dizem é onde está o risco, e que a diferença entre uma box de 35 € e uma de 80 € não é a velocidade: é a idade do browser lá dentro.

As seis categorias, de relance

Categoria Por ecrã Volta a ligar Quiosque Browser
Mini-PC Windows 120–250 €
70–150 € usado
◐ pela BIOS ● nativo ● actualiza-se
Mini-PC Linux 100–230 € ◐ pela BIOS ● nativo ● actualiza-se
Box ou stick Android 35–90 € ● sozinho ◐ app dedicada ○ envelhece
Raspberry Pi 95–150 € ● sozinho ● nativo ● actualiza-se
Chromebox em quiosque 250–450 €
+ licença/ano
● sozinho ● de fábrica ◐ até à data-limite
Ecrã profissional (SoC) 450–900 €
ecrã incluído
● de fábrica ● de fábrica ◐ preso ao ecrã

A coluna do preço engana, e engana a favor das caixas. Nas cinco primeiras linhas falta a TV. Um mini-PC de 150 € atrás de uma TV de 300 € são 450 €; um ecrã profissional de 600 € são 600 € — e aguenta mais horas por dia. A diferença real não é de quatro vezes, como a tabela sugere: é de um terço.

Uma a uma

1 · Mini-PC x86 com Windows

120–250 € novo

Um computador pequeno atrás da TV, ligado por HDMI. O caminho com menos surpresas.

◐ volta pela BIOS ● quiosque nativo ● browser actual

É a categoria que já tem guia escrito, e não é por acaso: o Windows deixa qualquer programa arrancar sozinho e ficar por cima de tudo, e o Chrome actualiza-se sem ninguém pedir. A classe a procurar hoje é um Intel N100 ou N150 sem ventoinha, com 8 GB e um disco de 256 GB — chega e sobra para uma playlist.

Onde morde: o Windows Update reinicia a máquina quando lhe apetece, e as notificações aparecem por cima do conteúdo — o guia trata das duas coisas, mas são passos que é preciso não esquecer. E há o preço da licença embutido no aparelho.

O melhor negócio desta lista está em segunda mão. Os micro-PCs de escritório — Dell OptiPlex Micro, HP EliteDesk Mini, Lenovo ThinkCentre Tiny — aparecem recondicionados por 70 a 150 € com Windows já licenciado. Foram desenhados para trabalhar o dia inteiro durante anos, têm a definição de arranque depois de falha de energia na BIOS (que muito mini-PC barato não tem) e sobra-lhes potência para isto. É a opção que ninguém recomenda porque ninguém a vende.

No painel aparece como windows, com a app DS View · web, pelo browser

2 · Mini-PC x86 com Linux

100–230 €

O mesmo metal da categoria anterior, sem a licença e sem o Windows Update.

◐ volta pela BIOS ● quiosque nativo ● browser actual

Tecnicamente é a opção mais sólida das seis: Debian ou Ubuntu com uma sessão mínima a lançar o Chromium em modo quiosque. Não reinicia sozinho, não mostra notificações, não pede licença e arranca em segundos. Muitos mini-PCs vendem-se sem sistema operativo, 10 a 20 € mais baratos.

Onde morde — e morde a sério: não há ninguém na loja que o saiba arranjar. Quando falha, falha para toda a gente menos para quem o montou. Numa instalação de dois ou três ecrãs geridos pela mesma pessoa que os montou, é excelente. Entregue a um cliente, é a escolha que mais depressa se torna um problema de outra pessoa.

No painel aparece como web · não há guia escrito para esta

3 · Box ou stick Android

35–90 €

A mais barata, a mais vendida, e aquela onde a escolha do modelo pesa mais.

● volta sozinho ◐ precisa de app de quiosque ○ browser envelhece

Cabe atrás da TV, custa o que custa um jantar e liga-se sozinha quando volta a luz. Tem guia escrito. O Android é que não deixa uma app qualquer arrancar sozinha nem impedir que se saia dela — daí a app de quiosque dedicada, que o guia explica.

Onde morde: tudo o que está na caixa acima. Abaixo de uns 30 €, as fichas técnicas são fantasia — memória a menos, Android antigo com versão falsificada, e por vezes software indesejado de origem. Uma box de marca conhecida com Android TV certificado custa 60 a 90 € e é outra coisa.

Os sticks HDMI são o mesmo com outro formato: mais arrumados, alimentados pela USB da TV — o que os faz ligar e desligar com a TV, que pode ser exactamente o que se quer, ou exactamente o contrário.

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4 · Raspberry Pi

95–150 € posto a andar

Um aparelho a sério em vez de um computador: liga à corrente e trabalha.

● volta sozinho ● quiosque nativo ● browser actual

É a única categoria que responde sim às três perguntas sem ressalva nenhuma. Não tem BIOS para configurar porque não tem botão de ligar: volta a luz, volta o Pi. O Chromium do Raspberry Pi OS é actual e actualiza-se. E é, de longe, o aparelho com mais documentação escrita para exactamente este fim.

O preço só engana se se olhar para a placa: o Pi 5 de 4 GB anda pelos 65 €, mas a fonte própria, a caixa e o armazenamento levam o conjunto aos 95–150 €.

Onde morde: o cartão de memória gasta-se ao fim de anos a escrever — vale a pena um cartão de alta resistência ou arrancar de um SSD por USB. E vale a mesma ressalva do Linux: é preciso alguém que o saiba montar.

No painel aparece como web · não há guia escrito para esta

5 · Chromebox em modo quiosque

250–450 € + licença anual

A categoria desenhada exactamente para isto — e a que aqui não compensa.

● volta sozinho ● quiosque de fábrica ◐ browser com data-limite

O ChromeOS tem modo de quiosque nativo: aponta-se-lhe um endereço e o aparelho passa a existir só para o mostrar. Arranca nele, fica nele, recupera dele, e o browser é o Chrome por definição. Inscrito na consola da Google, gere-se sem lá ir.

Onde morde: o preço do aparelho, e sobretudo a licença anual por aparelho que a gestão central exige. É um custo que se paga todos os anos por cada ecrã, e que compra uma coisa só: não ter de ir lá. Com três montras na mesma rua, isso não vale nada — e é por aqui que a categoria mais bem resolvida das seis fica de fora.

Se mesmo assim quiser um em segunda mão: todo o aparelho ChromeOS tem uma data publicada de fim de actualizações. Passada essa data o browser congela na versão em que estiver — a mesma avaria da box Android barata, só que com uma data que se pode consultar antes de comprar. Consulte-a. É o único número que interessa nesse anúncio.

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6 · Ecrã profissional com player integrado

450–900 € (43", ecrã incluído)

Sem caixa nenhuma: o player vive dentro do ecrã. Samsung Tizen, LG webOS, Philips.

● volta de fábrica ● quiosque de fábrica ◐ browser preso ao ecrã

Um cabo de corrente e mais nada — nada atrás do ecrã para cair, para desligar ou para levarem. A diferença de preço para uma TV doméstica não é margem: é painel certificado para 16 ou 24 horas por dia (a TV de casa é dada para umas 6, e a garantia costuma dizê-lo), mais brilho para montras com sol, vertical autorizado pela garantia, e nenhum ecrã inicial da marca a aparecer por cima.

Para consultar um exemplo concreto: o Samsung QM43C, referência LH43QMCEPGCXEN — 43", 500 nits, 24/7, Tizen 7.0. Em Setembro de 2026 estava em lojas portuguesas por cerca de 640 € com IVA, o que assenta a meio do intervalo desta categoria. O irmão mais barato, o QB43C, troca os 500 nits por 350 e o 24/7 por 16/7 — chega folgadamente se a montra não apanhar sol directo e o ecrã descansar de noite. Na LG, a gama equivalente é a UM5N.

Onde morde: o browser faz parte do ecrã. Não se troca, não se actualiza para sempre, e envelhece ao ritmo do modelo — pelos mesmos motivos da box Android, só que agora não se deita fora uma caixa de 50 €, deita-se fora um ecrã de 700 €.

A funcionalidade que decide isto não vem na ficha técnica

Um ecrã destes só nos serve se souber arrancar sozinho num endereço. Tem nome próprio em cada marca, está escondido num menu de serviço — e não aparece em nenhuma página de produto, ao lado dos nits e das horas. É o que há a perguntar antes do preço.

Em dois dos três, o menu que interessa não está no comando — está atrás de uma sequência de teclas que não vem no folheto. Use isso como teste ao vendedor: quem não a sabe de cor também não vai saber demonstrar o ecrã a fazer o que precisamos.

E é essa a demonstração a exigir, porque aqui não há segunda oportunidade: leve o endereço da sua playlist, peça que a ponham a andar no ecrã da loja e fique lá dez minutos — com um vídeo pelo meio e com o bloco do Euromilhões à vista. No catálogo funciona sempre.

No painel aparece como web

O que não comprar

O browser de uma smart TV doméstica. É a tentação óbvia — a TV já lá está e já tem browser — e é o único caminho que falha nas três perguntas ao mesmo tempo: volta ao ecrã inicial depois da falha de energia, não há maneira de fixar o browser em arranque automático, e esse browser é dos componentes menos cuidados da TV — quando existe, porque os modelos mais recentes de várias marcas já o retiraram.

Junte-se o painel dado para umas seis horas por dia a trabalhar dezasseis, e o que se poupou na caixa gasta-se no ecrã.

Duas coisas que não é preciso pagar

Ecrã vertical

O player roda o conteúdo por software. Não é preciso um ecrã com rotação, nem um aparelho especial: vira-se a TV e escolhe-se a orientação no editor da playlist, na linha do «Abrir player» — horizontal, ao alto para um lado ou para o outro, ou invertida. Grava na hora; o player aplica-a ao recarregar. O que um ecrã profissional acrescenta aqui não é a rotação, é a garantia a cobri-la.

Ligação à internet permanente e perfeita

O player guarda as imagens e os vídeos próprios no aparelho e continua a dar sem rede. Uma quebra de dez minutos não apaga a montra. O que precisa de rede é receber alterações e dizer ao painel que está vivo — ao fim de 180 s sem contacto, o painel marca o ecrã como fora do ar. Um 4G barato chega perfeitamente.

Sobre os preços desta página. São ordens de grandeza em euros, reunidas em Setembro de 2026, para comparar categorias — não são orçamentos. Os valores absolutos mudam com o câmbio, com a geração dos processadores e com a promoção da semana; o que se mantém é a relação entre eles, e é essa que a página quer dar. Antes de comprar, confirme o preço do dia e, sobretudo, o que está em cima: a definição de arranque na BIOS, a idade do Android, a data-limite do ChromeOS, as horas por dia do painel.

Escolhida a categoria, o passo a passo está nos outros dois documentos desta pasta: Mini-PC em quiosque e Android TV em quiosque. As categorias 2, 4, 5 e 6 não têm guia escrito — se alguma for para a frente, escreve-se então.