Já há dois guias para montar a coisa — num mini-PC com Windows e numa box Android. Isto é o que vem antes deles: que categorias de aparelho existem para pôr uma playlist numa TV, o que cada uma custa mesmo, e onde é que cada uma morde. Sem passo a passo — só o enquadramento.
Metade do que se lê sobre sinalização digital responde a um problema que não é o seu: gerir cem ecrãs espalhados por um país. Aí compensa pagar licença por aparelho, consola central e aparelhos que se inscrevem sozinhos — porque o custo real passa a ser ir lá.
Com dois, três ou cinco ecrãs, ir lá é ir à montra. Todas as recomendações abaixo assumem isso, e é por isso que a categoria tecnicamente mais bem resolvida — o Chromebox em modo quiosque — acaba por não ser a que se aconselha.
Fazem-se por esta ordem, e a ordem não é arbitrária: um não na primeira deita fora o aparelho, por muito bem que responda às outras duas.
Isto é do aparelho, não do sistema. Uma falha às três da manhã não avisa ninguém, e a montra fica apagada até alguém reparar — às vezes dias.
Os mini-PCs conseguem, mas só depois de se mudar uma definição na BIOS que vem desligada de fábrica. O Raspberry Pi e a maioria das boxes voltam sozinhos, porque não têm sequer botão para ficarem desligados. As TVs com Android integrado costumam voltar em espera — e essa descobre-se mal, com a TV já montada a três metros de altura.
Duas coisas, não uma: arrancar sem ninguém, e não haver maneira fácil de sair para o ecrã inicial do aparelho — nem por descuido, nem por curiosidade de quem passa.
No Windows e no Linux é trivial. No Android não: uma app qualquer não arranca sozinha nem impede que se saia dela, e por isso é preciso uma app de quiosque dedicada. No ChromeOS e nos ecrãs profissionais vem de fábrica — é para isso que existem.
O player é uma página web. Não há app nativa a proteger-nos: o que o browser não souber fazer, não se faz.
Num PC ou num Pi, o Chrome actualiza-se sozinho e a pergunta não se põe. Num aparelho onde o browser faz parte do sistema — box Android barata, ChromeOS em fim de vida, ecrã profissional — o browser envelhece com o aparelho e não se troca.
O próprio player tem quatro remendos escritos de propósito para browsers velhos de box Android. Estão no código, comentados pelo autor:
WebViews de Chrome ~51-53, «comuns em aparelhos que mentem a versão do
Android», não têm queueMicrotask — e o script do YouTube assume que
existe. O vídeo do YouTube nunca arranca. Não há remendo possível: o erro acontece dentro
do iframe do youtube.com, onde o nosso código não chega. O player limita-se a
detectar e saltar o item.
O evento que diz «o vídeo acabou» é instável nestes aparelhos — congela no último quadro. Houve que escrever uma segunda maneira de detectar o fim.
Sem Intl: o separador de milhares e a vírgula decimal são montados à mão,
porque estes browsers não têm localização de confiança.
As imagens são pré-carregadas uma a uma em vez de em bloco, «para evitar rajada de pedidos em TV box fraca».
Quatro remendos numa categoria só. Não invalidam a categoria — o player funciona lá, e foi feito para funcionar lá. Dizem é onde está o risco, e que a diferença entre uma box de 35 € e uma de 80 € não é a velocidade: é a idade do browser lá dentro.
| Categoria | Por ecrã | Volta a ligar | Quiosque | Browser |
|---|---|---|---|---|
| Mini-PC Windows | 120–250 € 70–150 € usado |
◐ pela BIOS | ● nativo | ● actualiza-se |
| Mini-PC Linux | 100–230 € | ◐ pela BIOS | ● nativo | ● actualiza-se |
| Box ou stick Android | 35–90 € | ● sozinho | ◐ app dedicada | ○ envelhece |
| Raspberry Pi | 95–150 € | ● sozinho | ● nativo | ● actualiza-se |
| Chromebox em quiosque | 250–450 € + licença/ano |
● sozinho | ● de fábrica | ◐ até à data-limite |
| Ecrã profissional (SoC) | 450–900 € ecrã incluído |
● de fábrica | ● de fábrica | ◐ preso ao ecrã |
A coluna do preço engana, e engana a favor das caixas. Nas cinco primeiras linhas falta a TV. Um mini-PC de 150 € atrás de uma TV de 300 € são 450 €; um ecrã profissional de 600 € são 600 € — e aguenta mais horas por dia. A diferença real não é de quatro vezes, como a tabela sugere: é de um terço.
Um computador pequeno atrás da TV, ligado por HDMI. O caminho com menos surpresas.
É a categoria que já tem guia escrito, e não é por acaso: o Windows deixa qualquer programa arrancar sozinho e ficar por cima de tudo, e o Chrome actualiza-se sem ninguém pedir. A classe a procurar hoje é um Intel N100 ou N150 sem ventoinha, com 8 GB e um disco de 256 GB — chega e sobra para uma playlist.
Onde morde: o Windows Update reinicia a máquina quando lhe apetece, e as notificações aparecem por cima do conteúdo — o guia trata das duas coisas, mas são passos que é preciso não esquecer. E há o preço da licença embutido no aparelho.
O melhor negócio desta lista está em segunda mão. Os micro-PCs de escritório — Dell OptiPlex Micro, HP EliteDesk Mini, Lenovo ThinkCentre Tiny — aparecem recondicionados por 70 a 150 € com Windows já licenciado. Foram desenhados para trabalhar o dia inteiro durante anos, têm a definição de arranque depois de falha de energia na BIOS (que muito mini-PC barato não tem) e sobra-lhes potência para isto. É a opção que ninguém recomenda porque ninguém a vende.
No painel aparece como windows, com a app DS View · web, pelo browser
O mesmo metal da categoria anterior, sem a licença e sem o Windows Update.
Tecnicamente é a opção mais sólida das seis: Debian ou Ubuntu com uma sessão mínima a lançar o Chromium em modo quiosque. Não reinicia sozinho, não mostra notificações, não pede licença e arranca em segundos. Muitos mini-PCs vendem-se sem sistema operativo, 10 a 20 € mais baratos.
Onde morde — e morde a sério: não há ninguém na loja que o saiba arranjar. Quando falha, falha para toda a gente menos para quem o montou. Numa instalação de dois ou três ecrãs geridos pela mesma pessoa que os montou, é excelente. Entregue a um cliente, é a escolha que mais depressa se torna um problema de outra pessoa.
No painel aparece como web · não há guia escrito para esta
A mais barata, a mais vendida, e aquela onde a escolha do modelo pesa mais.
Cabe atrás da TV, custa o que custa um jantar e liga-se sozinha quando volta a luz. Tem guia escrito. O Android é que não deixa uma app qualquer arrancar sozinha nem impedir que se saia dela — daí a app de quiosque dedicada, que o guia explica.
Onde morde: tudo o que está na caixa acima. Abaixo de uns 30 €, as fichas técnicas são fantasia — memória a menos, Android antigo com versão falsificada, e por vezes software indesejado de origem. Uma box de marca conhecida com Android TV certificado custa 60 a 90 € e é outra coisa.
Os sticks HDMI são o mesmo com outro formato: mais arrumados, alimentados pela USB da TV — o que os faz ligar e desligar com a TV, que pode ser exactamente o que se quer, ou exactamente o contrário.
No painel aparece como android, com a app DS View · web, pelo browser
Um aparelho a sério em vez de um computador: liga à corrente e trabalha.
É a única categoria que responde sim às três perguntas sem ressalva nenhuma. Não tem BIOS para configurar porque não tem botão de ligar: volta a luz, volta o Pi. O Chromium do Raspberry Pi OS é actual e actualiza-se. E é, de longe, o aparelho com mais documentação escrita para exactamente este fim.
O preço só engana se se olhar para a placa: o Pi 5 de 4 GB anda pelos 65 €, mas a fonte própria, a caixa e o armazenamento levam o conjunto aos 95–150 €.
Onde morde: o cartão de memória gasta-se ao fim de anos a escrever — vale a pena um cartão de alta resistência ou arrancar de um SSD por USB. E vale a mesma ressalva do Linux: é preciso alguém que o saiba montar.
No painel aparece como web · não há guia escrito para esta
A categoria desenhada exactamente para isto — e a que aqui não compensa.
O ChromeOS tem modo de quiosque nativo: aponta-se-lhe um endereço e o aparelho passa a existir só para o mostrar. Arranca nele, fica nele, recupera dele, e o browser é o Chrome por definição. Inscrito na consola da Google, gere-se sem lá ir.
Onde morde: o preço do aparelho, e sobretudo a licença anual por aparelho que a gestão central exige. É um custo que se paga todos os anos por cada ecrã, e que compra uma coisa só: não ter de ir lá. Com três montras na mesma rua, isso não vale nada — e é por aqui que a categoria mais bem resolvida das seis fica de fora.
Se mesmo assim quiser um em segunda mão: todo o aparelho ChromeOS tem uma data publicada de fim de actualizações. Passada essa data o browser congela na versão em que estiver — a mesma avaria da box Android barata, só que com uma data que se pode consultar antes de comprar. Consulte-a. É o único número que interessa nesse anúncio.
No painel aparece como web
Sem caixa nenhuma: o player vive dentro do ecrã. Samsung Tizen, LG webOS, Philips.
Um cabo de corrente e mais nada — nada atrás do ecrã para cair, para desligar ou para levarem. A diferença de preço para uma TV doméstica não é margem: é painel certificado para 16 ou 24 horas por dia (a TV de casa é dada para umas 6, e a garantia costuma dizê-lo), mais brilho para montras com sol, vertical autorizado pela garantia, e nenhum ecrã inicial da marca a aparecer por cima.
Para consultar um exemplo concreto: o Samsung QM43C, referência
LH43QMCEPGCXEN — 43", 500 nits, 24/7, Tizen 7.0. Em Setembro de 2026 estava em
lojas portuguesas por cerca de 640 € com IVA, o que assenta a meio do
intervalo desta categoria. O irmão mais barato, o QB43C, troca os 500 nits por 350 e
o 24/7 por 16/7 — chega folgadamente se a montra não apanhar sol directo e o ecrã descansar
de noite. Na LG, a gama equivalente é a UM5N.
Onde morde: o browser faz parte do ecrã. Não se troca, não se actualiza para sempre, e envelhece ao ritmo do modelo — pelos mesmos motivos da box Android, só que agora não se deita fora uma caixa de 50 €, deita-se fora um ecrã de 700 €.
Um ecrã destes só nos serve se souber arrancar sozinho num endereço. Tem nome próprio em cada marca, está escondido num menu de serviço — e não aparece em nenhuma página de produto, ao lado dos nits e das horas. É o que há a perguntar antes do preço.
URL Launcher — MENU → System → Play via → URL Launcher
No Tizen 7.0 também por MANUAL SETUP → CUSTOM App. Aceita um endereço simples, tal e qual — é a das três que melhor serve o nosso player, que é precisamente um endereço e nada mais.
SI Server Settings — EZ Settings → SI Server Settings, com Application Launch Mode e um campo de URL.
O menu não está no comando: carregue sem largar no botão Settings até aparecer
uma bolha cinzenta e marque 8080. Confirme que aceita
um endereço e não só uma aplicação empacotada em .zip — há modos
de arranque que só querem o pacote, e o nosso player não é um pacote.
Custom App — Advanced → Custom Setting → Custom App, e Advanced → Boot On Source a apontar a Customer em vez de Last Source.
Falta ainda ligar o Kiosk Mode, senão o ecrã inicial do Android aparece por cima do conteúdo. Menu escondido: botão Home e depois 1 8 8 8.
Em dois dos três, o menu que interessa não está no comando — está atrás de uma sequência de teclas que não vem no folheto. Use isso como teste ao vendedor: quem não a sabe de cor também não vai saber demonstrar o ecrã a fazer o que precisamos.
E é essa a demonstração a exigir, porque aqui não há segunda oportunidade: leve o endereço da sua playlist, peça que a ponham a andar no ecrã da loja e fique lá dez minutos — com um vídeo pelo meio e com o bloco do Euromilhões à vista. No catálogo funciona sempre.
No painel aparece como web
O browser de uma smart TV doméstica. É a tentação óbvia — a TV já lá está e já tem browser — e é o único caminho que falha nas três perguntas ao mesmo tempo: volta ao ecrã inicial depois da falha de energia, não há maneira de fixar o browser em arranque automático, e esse browser é dos componentes menos cuidados da TV — quando existe, porque os modelos mais recentes de várias marcas já o retiraram.
Junte-se o painel dado para umas seis horas por dia a trabalhar dezasseis, e o que se poupou na caixa gasta-se no ecrã.
O player roda o conteúdo por software. Não é preciso um ecrã com rotação, nem um aparelho especial: vira-se a TV e escolhe-se a orientação no editor da playlist, na linha do «Abrir player» — horizontal, ao alto para um lado ou para o outro, ou invertida. Grava na hora; o player aplica-a ao recarregar. O que um ecrã profissional acrescenta aqui não é a rotação, é a garantia a cobri-la.
O player guarda as imagens e os vídeos próprios no aparelho e continua a dar sem rede. Uma quebra de dez minutos não apaga a montra. O que precisa de rede é receber alterações e dizer ao painel que está vivo — ao fim de 180 s sem contacto, o painel marca o ecrã como fora do ar. Um 4G barato chega perfeitamente.
Sobre os preços desta página. São ordens de grandeza em euros, reunidas em Setembro de 2026, para comparar categorias — não são orçamentos. Os valores absolutos mudam com o câmbio, com a geração dos processadores e com a promoção da semana; o que se mantém é a relação entre eles, e é essa que a página quer dar. Antes de comprar, confirme o preço do dia e, sobretudo, o que está em cima: a definição de arranque na BIOS, a idade do Android, a data-limite do ChromeOS, as horas por dia do painel.
Escolhida a categoria, o passo a passo está nos outros dois documentos desta pasta: Mini-PC em quiosque e Android TV em quiosque. As categorias 2, 4, 5 e 6 não têm guia escrito — se alguma for para a frente, escreve-se então.